sexta-feira, 26 de março de 2010

Tormenta nos sonhos



Angustiante te ver nos sonhos, angustiante respirar cada momento que estás de volta ao meu lado como um estranho distante. As vezes eu olho para você e enxergo um pouco de mim mesma através da sua indiferença pouco lúdica nas noites que vago entre uma atmosfera e outra de percepções, sons e emoções. Você marcou a melhor e a pior página da minha vida, você escreveu a pior e a melhor história sobre mim mesma, mesmo sem querer, mesmo sem saber, enquanto olhavas para mim com os olhos rasos de emoção. Eu morri várias noites caindo sempre no mesmo equívoco de tentar encontrar as respostas que sempre procurei. Nunca mais achei nada, nunca mais senti nada no estado de vigília que justificasse minha presença aqui... Deixei-me ir de ‘volta para casa’ através dos sonos confusos que tenho quando estou longe daqui... Mas isso não é suficiente, porque não posso ter este momento em mim, ele é tão volátil, tudo é tão fugaz, que não consigo me concentrar e encontrar nenhuma resposta. Tenho andado distraída e envolvida com outras coisas que vão muito além de mim mesma, isso talvez me mate ou me cure de uma vez por todas. Não tenho mais as respostas de antes, apenas as duvidas de sempre, espero que no próximo encontro eu possa ter a minha revanche, eu possa gritar à minha pouca paz!

Medo



Existem coisas pairando no ar... Eu estava angustiada, sufocada, apreensiva, quase pálida diante de tantas expectativas e emoções. Houve momentos de glória e de dor, exatamente como dizem que a vida tem que ser. Houve momentos de dúvida e hesitação, momentos de conquistas e de perdas, momentos de alegria e decepção. Eu apenas queria viver como qualquer outro ser, não nasci para mudar o mundo, não sinto que tenho alguma missão sagrada, apenas preciso existir, existir e continuar atravessando as noites escuras e as tempestades raivosas, para encontrar um por de sol que me faça ter a sensação de que meu caminho tinha coração. Quando as tormentas estão no ar e os céus carregados de fúria é difícil imaginar um sol brilhante atrás da montanha, mas eu preciso acreditar que o verei, preciso acreditar que as águas intempestivas cessarão, preciso acreditar que estou no lugar certo, mesmo que haja dias que tudo pareça estar inconsequentemente errado.
Eu tive que me perder para me re-encontrar diversas vezes nesta estrada, eu tive que desistir e recomeçar o mesmo caminho em diversos momentos distinto da minha existência... Tive que lutar para solidificar meu ser em direção à tal integridade que tanto li um dia... Eu não estou tentando desistir, e nem poderia, apenas estou tentando admitir que estou com medo! Medo de cair, medo das folhas secas do final do outono me afastarem de novo de mim mesma. Estou apenas com medo, como qualquer ser humano diante da fúria de um dia cinzento, ou uma criança diante da ausência do colo materno. Estou me permitindo sentir este momento, sem tentar elaborar nada demais, apenas sendo uma gota que se entrega ao mistério do existir.